{"id":30217,"date":"2026-06-30T17:09:09","date_gmt":"2026-06-30T20:09:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.feyalegria.org\/brasil\/?p=30217"},"modified":"2026-06-30T17:15:16","modified_gmt":"2026-06-30T20:15:16","slug":"artigo-migracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.feyalegria.org\/brasil\/artigo-migracao\/","title":{"rendered":"Artigo: Migra\u00e7\u00e3o, resili\u00eancia e a for\u00e7a de recome\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30221\" src=\"https:\/\/d3pugrm67vf9n7.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2026\/06\/30170845\/Banner-Home-Artigo-Jose-Romero.png\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/d3pugrm67vf9n7.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2026\/06\/30170845\/Banner-Home-Artigo-Jose-Romero.png 1000w, https:\/\/d3pugrm67vf9n7.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2026\/06\/30170845\/Banner-Home-Artigo-Jose-Romero-300x150.png 300w, https:\/\/d3pugrm67vf9n7.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2026\/06\/30170845\/Banner-Home-Artigo-Jose-Romero-768x384.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<em>Por Jos\u00e9 Alberto Romero Blanco, coordenador regional de F\u00e9 e Alegria em Roraima<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A voc\u00ea, caminhante que segue construindo novos caminhos!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Encontramos diariamente trajet\u00f3rias marcadas por mudan\u00e7as e novos rumos. Muitos desses movimentos ultrapassam fronteiras geogr\u00e1ficas, culturais e lingu\u00edsticas, exigindo adapta\u00e7\u00e3o, coragem e aprendizado constante. \u00c9 nesse espa\u00e7o de partilha que apresento um pouco da minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria, atravessada por experi\u00eancias de migra\u00e7\u00e3o, diversidade cultural e constru\u00e7\u00e3o de sentido ao longo do caminho.[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>As ra\u00edzes de uma vida em movimento<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 precisou recome\u00e7ar alguma vez na vida talvez compreenda parte do que vou compartilhar. Durante minha juventude em Valencia, minha cidade natal, na Venezuela, situada a oeste de Caracas, em uma importante regi\u00e3o industrial, convivi com pessoas de diferentes pa\u00edses e culturas. Naquela \u00e9poca, observava os migrantes ao meu redor e percebia neles uma for\u00e7a que eu admirava, mas ainda n\u00e3o compreendia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estudei num ambiente diverso: com \u00e1rabes, italianos, espanh\u00f3is, chineses, peruanos, entre outros. Desfrutava e aprendia muito naquele ambiente de diversidade cultural, mas existia uma carater\u00edstica comum que observava em todos eles: uma esp\u00e9cie de for\u00e7a, que ficava evidente em sua forma de trabalhar e de seguir em frente mesmo diante das dificuldades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minha fam\u00edlia era bem simples e, por isso, comecei a trabalhar aos 17 anos. \u00a0Trabalhava e estudava. Sempre foi assim. Consegui concluir minha primeira gradua\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o aos 21 anos, mas continuei estudando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Passei por diferentes empregos e sempre percebia, em meus colegas de trabalho estrangeiros, aquela for\u00e7a, que permitia aos migrantes se destacarem independentemente da tarefa ou atividade que desempenhavam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, por mais de 13 anos, trabalhei em uma grande empresa, constru\u00ed minha fam\u00edlia e prosperei. Continuei estudando at\u00e9 obter o grau de mestre em Gest\u00e3o de Recursos Humanos, um tema que sempre despertou meu interesse: as pessoas. Mas, um dia, a empresa onde trabalhei por tantos anos acabou falindo. Tive que me reinventar e criei meu primeiro empreendimento: um escrit\u00f3rio de consultoria. Por mais de cinco anos, assessorei empresas em projetos de responsabilidade social. Por\u00e9m, mais uma vez, a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds fez com que a maioria das empresas fechasse suas portas. Foi assim que, pouco a pouco, a situa\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e moral do nosso pa\u00eds se deteriorou a tal ponto que sobreviver se tornou um desafio. Eu j\u00e1 era casado e tinha tr\u00eas filhos. Dois deles ainda eram crian\u00e7as, e o mais velho era apenas um adolescente.[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Quando partir se torna a \u00fanica escolha poss\u00edvel<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que fazer? Eu n\u00e3o queria migrar. Tinha conquistado tanto, e arriscar tudo de uma s\u00f3 vez era uma decis\u00e3o muito dif\u00edcil. Confesso que esperei mais de quatro anos para tomar essa decis\u00e3o. Sair do meu pa\u00eds, deixando para tr\u00e1s a fam\u00edlia, os amigos e todas as conquistas econ\u00f4micas e profissionais, era demais para mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A espera teve consequ\u00eancias. Por mais que trabalhasse, n\u00e3o conseguia garantir o sustento da minha fam\u00edlia, e sofr\u00edamos com falta de rem\u00e9dios t\u00e3o b\u00e1sicos que voc\u00ea encontra na farm\u00e1cia da esquina da sua casa, mas que l\u00e1 j\u00e1 n\u00e3o existiam. Minha fam\u00edlia merecia um futuro melhor. Foi nesse momento que senti, pela primeira vez, o que descrevo neste texto como essa for\u00e7a: cinco pessoas, cinco malas e uma viagem de \u00f4nibus, porque n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro para comprar passagens de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Destino: Brasil. Por qu\u00ea? Simples: n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro para chegar a outro lugar. Os recursos que conseguimos ao vender, por um pre\u00e7o irris\u00f3rio, a alian\u00e7a de ouro de casamento da minha sogra falecida eram o \u00fanico f\u00f4lego que nos permitiria cruzar aquela fronteira. Naquele momento, todos os meus diplomas, cursos e anos de experi\u00eancia pareciam n\u00e3o valer nada. Eu estava entrando em um pa\u00eds com cultura e l\u00edngua diferentes, sem saber ao certo o que encontraria pela frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus, conseguimos entrar. Na minha mente havia muitos medos, por\u00e9m foi a primeira vez que senti essa for\u00e7a, que me impulsionava a acordar mais cedo, trabalhar mais horas, inclusive nos feriados, economizar cada recurso poss\u00edvel e procurar, com firmeza, cumprir a lei. Eu tinha mudado. Agora era migrante, n\u00e3o mais o mestre com vinte anos de experi\u00eancia profissional, mas apenas mais um migrante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naturalmente, desempenhei v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es para sustentar minha fam\u00edlia naquela \u00e9poca. Entre eles, o que estava mais ao meu alcance: limpador de quintais, uma atividade mais simples que a jardinagem, mas que garantia o valor de uma di\u00e1ria para seguir em frente, um dia de cada vez. Tudo era pelos meus filhos e pela minha esposa. Eu j\u00e1 n\u00e3o era o mais importante: eles eram.[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Quando a for\u00e7a encontrou um prop\u00f3sito<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas Deus costuma agir de formas misteriosas. Sabia muito pouco sobre as obras da Igreja Cat\u00f3lica. Um dia, por\u00e9m, conheci o sacerdote Ronilson Braga e, por meio dele, a Companhia de Jesus. Esse homem me tratou de uma forma diferente. Em nossa conversa, senti respeito, acolhida e valoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por interm\u00e9dio dele, tamb\u00e9m conheci outros sacerdotes que marcaram minha caminhada: Pedro Pereira e Agnaldo Junior. Hoje somos grandes amigos e companheiros de miss\u00e3o. Com o tempo, compreendi que foi Deus, por meio deles, quem me chamou para colocar minha experi\u00eancia, minha forma\u00e7\u00e3o e essa for\u00e7a a servi\u00e7o de outros migrantes, ajudando a consolidar o trabalho de F\u00e9 e Alegria em Boa Vista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi assim que passei a atuar em F\u00e9 e Alegria, um espa\u00e7o onde minha trajet\u00f3ria pessoal ganhou novo sentido no servi\u00e7o aos outros. Ali entendi, na pr\u00e1tica, que acolher migrantes ia muito al\u00e9m de um trabalho: era uma parte importante na minha miss\u00e3o de vida. Pouco a pouco, fui colocando minha experi\u00eancia, minha forma\u00e7\u00e3o e essa for\u00e7a a servi\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o popular, que aposta na dignidade humana e na constru\u00e7\u00e3o de oportunidades para quem mais precisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vida seguiu, com trabalho, estudo e novos aprendizados. J\u00e1 tenho 52 anos e, \u00e0s vezes, me canso. Mas a for\u00e7a do migrante continua comigo. Continuei trabalhando em F\u00e9 e Alegria, e estudando aqui no Brasil: fiz MBA, diplomados, forma\u00e7\u00f5es livres, e agora estou estudando ingl\u00eas. Inclusive at\u00e9 me convidam para escrever artigos como este aqui. E, nesse caminho, a experi\u00eancia de ser migrante seguiu se transformando em prop\u00f3sito.[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Da for\u00e7a do migrante ao compromisso com o acolhimento<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, eu utilizo essa experi\u00eancia para enfrentar desafios maiores, promover o acolhimento de outras pessoas em minha cidade, valorizar a interculturalidade na Amaz\u00f4nia, construir pontes e tecer redes com pessoas de muitos pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o que o futuro me reserva, mas pe\u00e7o a Deus que me permita crescer e aprender sem perder a minha identidade, um dia de cada vez. Dou-me a permiss\u00e3o de ser usado por Ele, de inovar e at\u00e9 de errar. Pe\u00e7o tamb\u00e9m que os diplomas n\u00e3o inflem demais o meu ego, para que eu n\u00e3o esque\u00e7a de onde venho nem para onde vou. Mas pe\u00e7o, especialmente a Ele, que me d\u00ea a for\u00e7a necess\u00e1ria para combater o bom combate, completar a carreira e guardar a minha f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o, da resili\u00eancia e da for\u00e7a de recome\u00e7ar faz parte da vida de milh\u00f5es de pessoas que, todos os dias, atravessam fronteiras vis\u00edveis e invis\u00edveis em busca de dignidade, trabalho e esperan\u00e7a. Nesse contexto, o trabalho de F\u00e9 e Alegria ganha ainda mais sentido ao atuar na defesa de direitos, na promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o de caminhos de acolhimento e oportunidade para quem mais precisa. Trata-se de um compromisso com vidas que se reinventam e seguem construindo novos caminhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com f\u00e9 e gratid\u00e3o,<\/p>\n<p>Jose Alberto Romero Blanco.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Por Jos\u00e9 Alberto Romero Blanco, coordenador regional de F\u00e9 e Alegria em Roraima &nbsp; A voc\u00ea, caminhante que segue construindo novos caminhos! &nbsp; Encontramos diariamente trajet\u00f3rias marcadas por mudan\u00e7as e novos rumos. 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