Siga-nos:

Entrevista: 45 anos de educação popular e sinodalidade

Diretor-presidente e coordenador de Fé e Alegria falam ao programa Igreja Sinodal sobre a trajetória e a missão do movimento. 

A Fundação Fé e Alegria completa 45 anos de atuação no Brasil como um movimento de educação popular que busca transformar realidades nas periferias sociais e geográficas. Em entrevista ao programa Igreja Sinodal, idealizado pelo Serviço Teológico-Pastoral, o Diretor-Presidente da instituição no Brasil, Pe Alexandre Raimundo de Souza, SJ e o coordenador em Roraima, José Alberto Romero Blanco, falaram sobre como a instituição aplica o conceito de “caminhar junto” em seus 34 centros educativos distribuídos por 14 estados. A organização, parte da Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental, reafirma sua identidade de estar presente nos locais mais vulneráveis, seguindo a máxima de seu fundador, Pe. José María Vélaz, SJ, de que “Fé e Alegria começam onde o asfalto termina e onde a cidade muda de nome”, conforme relembrou José Alberto durante a conversa. 

 

Ao relembrar a Educação Popular como base da atuação de Fé e Alegria, padre Alexandre enfatizou que o modelo pedagógico da instituição é pautado no encontro e na construção coletiva do conhecimento entre a escola e o território. “Acreditamos que ninguém ensina sozinho. Nós aprendemos a ensinar com quem vem para o centro educativo, mas também com a participação da família e da comunidade”, afirmou o jesuíta. Segundo ele, essa abordagem é essencial para formar sujeitos protagonistas e não meros destinatários de assistência, permitindo que os educandos aprendam a conviver com culturas e saberes diferentes enquanto constroem sua própria autonomia. 

 

No contexto atual, essa missão se traduz em projetos diversificados que respondem às urgências de cada região, como o acolhimento migratório na Amazônia e a sustentabilidade no semiárido. Em Roraima, o trabalho em rede é fundamental para lidar com a complexidade do fluxo migratório, envolvendo a Igreja local, o poder público e as comunidades. José Alberto, que iniciou sua trajetória na fundação como beneficiário antes de se tornar coordenador, destacou que o impacto do trabalho é visível nos pequenos gestos cotidianos. “Sinais de esperança são as mulheres que querem progredir, as famílias que querem avançar e se integrar, e pessoas que querem aprender e evoluir. Isso carrega nossas baterias”, relatou. 

 

Ao concluir a reflexão sobre o papel da sinodalidade na educação, o Padre Alexandre reforçou que a eficácia da missão depende da capacidade de escuta e cooperação entre diferentes atores sociais. Ele destacou exemplos como a Escola Família Agrícola de Jaboticaba, em Quixabeira (BA), onde o diálogo com pequenos agricultores e o poder público promove a ecologia integral. Para o diretor, o segredo da longevidade e do impacto de Fé e Alegria reside na união de esforços e na humildade de aprender com o outro. “A pista concreta para ser mais sinodal é não caminhar sozinho. É saber escutar atentamente e dar as mãos, para não caminhar depressa e sozinho, mas irmos todos juntos”, finalizou.  

Pe alexandre site

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

©2026 Todos los derechos reservados
PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com